irresistível

2013-05-01 22.04.33

Tô aqui impressionada que nunca postei as versões-cool de pagodes do Letuce por aqui… como assim? Já escrevi aqui e aqui sobre como uma mudançinha sutil na versão de uma música me fazem cair de amores por ela.

O Letuce me fez aprender alguns pagodes beeeem anos 90. Os meus dois preferidos (que eu tinha CERTEZA que já tinha postado… escuto o tempo todo!) são do EP Couves. Excelente disco, por sinal…

Mas essa semana, o pessoal da Musicoteca postou uma que eu não conhecia.

Irresistível!!!!

músicas, serenatas e declarações de amor

O dia dos namorados é uma data brega. As músicas de amor são – em sua maioria – bregas. Mas fazer o que se a gente se identifica?

Lembro de uma amiga que era apaixonada com um amigo dela e ouvia “eu to confuso no que vou fazer (te querendo amor, te querendo amar), mas cheio de vontade de me declarar (te querendo amor, te querendo amar), será que a amizade vai prevalecer (te querendo amor, te querendo amar) o nosso sentimento vai se libertaaaar…“. Pagode Love Songs, quem nunca! Se esse for o seu estilo para o dia dos namorados, digite 1.

Tem também as músicas que acabam fazendo parte da nossa história involuntariamente. A pessoa passa a adolescência ouvindo Smashing Pumpkins pra chegar numa rodinha e alguém decidir se declarar com uma música do Djavan. Pronto, taí, uma Novela Love Song pra te perseguir pelo resto da vida. Adolescente rebelde que eu era, tinha todo um preconceito com esse tipo de gente que toca música do Djavan pras meninas. Mas admito que gosto dessa música até hoje. Se Novela Love Songs for o seu tipo, tecle 2 (versão sucesso com Caetano, bem no clima).

A minha personal campeã das declarações musicais aconteceu quando eu era adolescente, super mega hiper thunder tímida e, fora a música que ele cantou pra mim, não trocamos mais que três palavras (quiçá qualquer outra coisa). Mas como não amar uma letra que fala “você já me conquistou, apesar de mim / e não se alarme se eu trocar os pés pelas mãos / nem se surpreenda se eu te amar por tudo o que você é / eu não pude evitar / a culpa foi toda sua”. Escute e preste atenção na letra toda, e se quiser se declarar pra alguém um dia, fikdik. Se o seu estilo romântico for 90’s Love Songs, aperte 3.

Eis que um belo dia de inverno a pessoa está sozinha e, de repente, não está mais. Aquele momento que muda tudo, aquele primeiro dia, aquele primeiro beijo. Foi numa festa ótima, foi com uma música muito boa, mas… Romântica? Nem de longe. Estava tocando Helicopter, do Block Party.  Se Love Songs não for o seu tipo, clique 4.

Helicopter foi a música errada que tocou na hora certa, não tem como mudar o momento. Mas quando eu lembro daquela época de ficar na expectativa pra ver se as coisas vão ou não dar certo, de toda a ansiedade, de olhar o celular de 5 em 5 minutos pra ver se ele mandou mensagem, de demorar 2 horas pra escolher uma roupa (tá, isso eu ainda faço), a música que eu lembro é outra. A música que eu lembro fala que “eu quero mandar uma mensagem pra você todos os dias às 10 horas da noite“. Ok, assumo que a letra dela não é das mais românticas. Tudo bem, eu nunca fui uma pessoa muito romântica mesmo. Se você também é dessas, tecle 5.

Agora, se eu fosse romântica, eu imaginaria flores e viveria cenários futuros, e faria uma declaração de amor que conseguisse dizer tudo o que eu penso sobre as incertezas de se entregar a alguém em uma única palavra: Maybe.

Eu posso até não ser romântica, mas brega

Feliz dia dos namorados!

 

ser ou não ser

 

A gente se cobra ser tanta coisa, né?

Segurar todas as barras que aparecem. Uma música que combina com os últimos e próximos dias e semanas é essa versão que o Letuce fez da música ‘You gotta be’, clássico dos anos 90, famoso na voz da Des’ree.

E sabe por que combina tanto?

No fim de toda essa bagunça, de uma coisa eu sei: “All i know, all i know, love will save the day”

Abre alas e fecha aspas

Música meiguinha? Acho que não. A banda carioca ‘Letuce’ não passa muito perto disso, apesar dessa música ser uma fofura. Conheci o som deles a muito pouco tempo e, devo admitir, fui conquistada pelo excelente disco de cover que eles fizeram, o “Couves”. Couve, Letuce, got it? Bom, as versões de pagodes (Poderosa e Que se chama amor – prometo um dia postar uma delas!), que nunca passaram muito perto dos meus ouvidos viraram meus hits dor-de-cotovelo. Depois fui conhecer o disco deles de 2009, o “Plano de Fuga Para Cima dos Outros e de Mim”. Pronto, virou paixão.

Hoje fui procurar algo sobre a banda pra colocar aqui, achei um release bem interessante, escrito por Arthur Braganti. Bate bem com o que me foi dito por um amigo que foi ao show deles:

E Letuce irrompe na arena. Amazona de proporções totêmicas, Letícia Novaes finca as longas pernas no piso, agarra com as duas mãos o microfone/lança, vira o rosto pro partner Lucas Vasconcellos que carrega nos ombros e nas mãos o peso daquela que é para Patti Smith a única arma de revolução, ‘this is the only weapon we need to revolution! An electric guitar’ gritou ela num palco carioca. Letícia estava lá e escutou e disse glória! Letícia é atriz e rockeira-bluseira-bacante. Lucas é guitarrista e maestro e investigador inquieto. Os dois, carametades, se somam a comparsas de altíssimo nível para um desfile de canções-jóias diversas, de quem saca além da tropicália, transa Dalva de Oliveira e Courtney Love, galopa de cavalinho azul pelo Leblon todo aceso da Marina, e pela Tijuca swingada dos erasmos, jorges e afins: sem pastiche, mas com pistache. Letuce quer gozar, mas Letuce não quer só prazer, Letuce quer prazer mas quer revolução, e isso não é punk demodê, nem teenager, nem ingenuo – ainda que possa ser tudo isso ? é o gesto generoso. O show é mais que um happening, cada glitter nos olhos, cada imagem projetada na banda, cada serpente cintilante de luz enroscada nos pedestais de micfone, cada verso safado em francês, cada verso embriagado de amor, cada nota dissonante do coro dos contentes é parte de um espetáculo maior que e é total, porque ?cada parte é um todo?. No palco, subversivos com elegância, operam aquela mágica que é quase um milagre, e estar presente e participar dela um afago pros bem-aventurados de plantão : faz gozar com outras palavras, principio do deleite inconformista, que adoça a boca e perturba o sossego. Quando a gente imagina que o cuidado e a minúcia na orqeustração desse espetculo de ruídos, melodia, narrativa, luzes e marcações cências é definitivo, vem a surpresa: no show seguinte eles entregam à platéia o barato de organizar o varieté: a platéia adora e entra no jogo de cara, gritando os número das canções a serem ordenadas ali. O casal, do palco, generoso, convoca o púlbico a criar junto, Letícia fala ?é quase um talk show?, acham careta público passivo, solicitam engajamento, como que lembrando que o espetáculo está vivo, e que ninguém sai de bode da farra sofisticada, orgânica, diversa e transadíssima do Letuce. (Hai) Kai o pano. Letuce saúda o povo e pede passagem! Abre alas e fecha aspas.

Deixa com água na boca, né? Então vai lá, mata a vontade: