Filme bom de se ouvir!

Mais um dia de convidada!!! Hoje tenho o prazer de receber minha querida Raquel Bambozzi! Amiga/prima linda, inteligente, com um gosto musical super diversificado e de excelente qualidade.

907578_512384588821686_1519431785_n

Tem certos filmes que te pegam pelo atacado. Como se não bastasse um enredo cativante, talvez não de todo elaborado, mas daqueles que te agarram pelo cangote arquetípico das emoções….  e ainda apelam aos seus sentidos mais pios, para aqueles que os cultivam, é claro,  como direi…à flor do ouvido!

Ainda que faltando um quê de convencimento, My Blueberry Nights, dos quase longínquos 2007 é desse tipo… e Wong Kar Wai sabe das coisas! Desde que fez “Amor à Flor da Pele” e usou e abusou de Nat King Cole e vestidos cinquentinha desfilando em slow motion… De chorar!!!

“Na radiola de ficha toca um bolero, vida noves fora zero, a dor de todos os cotovelos da espera.” (do mestre Xico Sá)

Um road movie pela tristeza interior para se descobrir ou curar das mazelas do amor.

E no balcão do café da existência, uma câmera de plano fechado, só você (eu) e o Jude Law!! Aiai!! Dai entra The Story, Nora Jones! Enfim…

Ambos foram abandonados. Estão vulneráveis emocionalmente. Ela desmaia de bêbada e de tanto comer torta de blueberry. Uma solidão masoquista, cultivada nos vinis e nos cafés.

E você assiste ao filme e escuta algo que é bom, chora um pouquinho, e escuta logo outra chanson também ótima, sem identificar bem o que é, e por aí vai… louco (a) para chegar ao final, e saber qualé do quem vai ficar com quem (um tanto óbvio ali) e, também identificar, é claro, as músicas nos créditos finais. Bem, eu sou destas!! Sempre atraida pelos bons sons e pela boa aplicada!!! Como que um novo mundo que se revela na nova pesquisa!

A trilha ali é bem um interlocutor, recheada de elementos blues, e dialoga com a imagem granulada da câmera de vigilância. Um Ry Cooder genial que o é sempre quando quer ser! Cat Power, surpresa linda em cena e voz deliciosa como sempre em The Greatest. Mavis Staples, em ritmo que promove momento de respiro. Otis Redding, num clássico confortável aos ouvidos! A delicadeza melancólica do dedilhado de Gustavo Santaolalla com propósito de tocar a alma. Cassandra Wilson refaz um Neil Young intenso!

A reciclada e linda Yumeji’s Theme de Chikara Tsuzuki alimenta ainda o clima melancólico.

A trilha capta o cerne da tristeza dos personagens, mas também toda a carga erótica contida, não realizada. As emoções aos pedaços se misturam ao longo do todo e uma impressão nova se acrescenta à precedente sem chegar a apagá-la inteiramente. Pessoas de natureza morta, e o que resta de alentador, afinal, é um beijo roubado. Neste momento justamente, cessa a música e sobrevêm o silêncio, numa poética única!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s