Não se levantem, moças. Estou apenas de passagem.

Dia feliz, dia de convidado! Mais uma vez, o Pablo – tímido poeta sustentável, que esqueceu a promessa de um post entre algumas cachaças no fim de semana – vem fazer uma participação linda aqui no Musique!

Como diriam no ballet: quebre a perna, Pablito!

Certo é e segue sendo: qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Quis fazer um post expresso, mas quanto me custa isso! Vídeos e mais vídeos, histórias e histórias. Esta figura estranha vai soltando a carapaça e não para. Onde nasceu? Na Bahia, Salvador. Se criou no Recife e desceu pro Rio. Passados vinte anos, acho que o carioca que há na gente engema. Maurício Baia hoje compõe um grupo de violeiros no Rio chamado 4 Cabeça. 

São quatro caboclos em volta da mesa
Quatro presas versando em prosa
Travando trovas
Lembrando lendas
Alucinados

Paladinos do apocalipse
4 vértices, 4 histórias
São procurados e perigosos
Tome cuidado!

Os três outros vértices (Gabriel Moura, Luis Carlinhos e Rogê) deixo para tratar numa outra. Até porque a ponta de Baia já é um engodo só. Tinha para mim que Gilberto Gil o tinha apadrinhado e agora não tenho como dizer, mas tudo indica que Baia & Os RockBoys sobreviveram longos anos (três discos: Na Fé, 1995; Overdose de Lucidez, 1998; e Entrada de Emergência, 2001) às intempéries da empreitada independente e por mérito próprio.

Meu primeiro contato foi, como outros tantos, na prateleira da loja de discos. Um tiro no escuro. Tenho essa prática kamikaze de tomar os livros pelas capas. Não aconselho a ninguém – e não há nada o que fazer com um disco ruim comprado a não ser escondê-lo no armário – mas costuma dar mais certo que errado.

Aproveito a deixa dos encontros aleatórios pra expor esses elos fantásticos. A décima faixa do disco Baia no Circo, chama-se “Quando Eu Morrer”. Atenção para o solo de trompete. Baia explica que ouvia uma versão da Cássia Eller de “Na Cadência do Samba”, da autoria de Ataulfo Alves (o Romulo Fróes tem uma versão muito boa também) e se deu conta que a música brasileira estava infestada de desejos de morte ou, melhor dizendo, Testamentos. Com essa cara de filho do Seinfeld com Sérgio Mallandro, o testamento de Baia não podia sair coisa séria.

Pois, quando eu morrer,
Eu não vou poder me fingir de morto
Pra ver o que se passa
Não quero ver quem vai beber:
O meu café, minha cachaça.
Viro a cara pra essa vida como ela é…
E para as novas paqueras da minha mulher…

 

Acontece que essa letra recebeu aportes claros de “Fita Amarela” do Noel, que descobri não ser lá a obra das mais autóctones. A primeira estrofe foi escrita pelo capoeirista de Santo Amaro da Purificação, Mestre Besouro Preto. Besouro, também é autor dos versos “Quando eu morrer me enterrem na Lapinha/Calça-culote, paletó-almofadinha.” Daí, Paulo César Pinheiro, o mais promíscuo membro da classe de compositores brasileiros, tomou a rima do Besouro e, com Baden Powell, compuseram “Lapinha”, que mais tarde foi gravada pela Elis. Vejam só a sem-vergonhice.

Mas esses são apenas os elos reais e passíveis de comprovação. Eu prefiro deixar vocês com as possibilidades de dimensões místicas. Para isso, chamo Zé Ramalho, figura fundamental e capaz de aglutinar Raul Seixas (personagem pai de Baia na trama), Bob Dylan (o primo-tio de segundo grau) e Wonder Boys, um belo filme sessão da tarde sobre vidas estanques. O tema principal da trilha de Garotos Incríveis é “Things Have Changed”, abrasileirada por Maurício Baia e Gabriel Moura.

Outra vez obrigado à Ana e às meninas do Musique e até a próxima.

A gente que agradece, Pablito! A casa é sua, volta sempre!

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