Foguetes

Acho que descobri que queria convidar o Pablo pra postar aqui no Musique no dia que el me mandou um email com as impressões que teve ao ouvir o som do Graveola. Indiquei minha banda querida logo numa das primeiras conversas que tive com ele. Explicando: violão vagou na primeira festinha do semestre. Meu querido convidado logo sentou no banquinho e começou a tocar músicas do Belchior. Pra surpresa geral: ele não tocava ‘Como nossos pais’, música que o coro bêbado – no qual me incluo – pedia insistentemente. Mas toca Clube da Esquina, Mombojó e outras muito queridas por aqui.

Senta que lá vem o (EXCELENTE) texto!

Mesmo sabendo que havia uma ferramenta de busca para evitar uma possível repetição, antes de arrematar minha contribuição, quis passar o olho por cada post para sentir o tom do blog. Confesso que, 28 páginas depois, eu sofria de algo como uma indigestão, de tanta aba de vídeo aberta e uma tonteira de sentir o tanto que ainda há pra conhecer.

Essa é uma sensação bem recorrente. É assim que reajo às rajadas de informação. Tento me ater a tudo quanto posso e parece que não posso evitar de me partir.

Quando a Ana me fez o convite, pensei logo que não poderia faltar com a responsabilidade aos trovadores malditos que os becos obscuros do submundo dos blogs de música me apresentaram (Sérgio Sampaio, Jards Macalé, Di Melo, Ave Sangria e Flying Banana). Mas tranquilizei-me ao lembrar que há um movimento paleofonográfico em curso, de recuperação e reafirmação desses momentos áureos da nossa história criativa. Daí desviei minhas preocupações para a geração nova. Mas aqui também sosseguei logo ao ver no posts anteriores um Eddie aqui e um Passo Torto acolá. Pensei que deles não seria difícil se chegar a Ortinho, Siba, Mathilda Kóvak, Pitanga em Pé de Amora ou Rodrigo Maranhão.

Livre do peso das responsabilidades, foquei minha escolha nos arrepios mais recentes. Nessa história de morar noutra cidade, a gente – que vem do mar – fica meio feito bicho num aquário. Brasília é para mim um aquário de salinidade estranha e pH elevado. Cheguei por engano, caído numa rede de arraste e me vejo longe de família, cachorro e namorada. “Ah, se eu pudesse voltar atrás”, parei um tempo nesse post do Thiago Pethit. Tenho me escondido no escafandro de enfeite. Saio, às vezes, pra ver um pouco do verde das algas de mentira. O tempo aclimata. A distância ressignifica e, quando muita, separa.

Descobri Bruna Caram nesse contexto, cantarolando Futuros Amantes, numa busca por alento. Eis que me deparo com esse pout-pourri: lembra de mim / gostava tanto de você / olhos nos olhos. Foi a queda, o coice e o atropelo. Achei, a princípio, que seria uma boa escolha. Mas não queria pesar o clima. Pus-me um pouco mais à procura e cá tropeço nessa belezura:

Acho que Noel não tinha rolado ainda, não é? De todo modo, penso que Dona Inah, a senhora do vídeo, foi uma feliz surpresa e que pode cair aqui por um gancho vindo do Romulo Fróes, que integra o projeto Passo Torto. Ela abre o disco de Romulo Um Labirinto em Cada Pé com a faixa “Olhos da Cara”. Fora isso, Bruna Caram tem várias parcerias com o Marcelo Jeneci, que está em todas. Vejo que assim a rede social do mundo da música vai se desenhando.

E como disse João Cabral de Melo Neto: um galo sozinho não tece uma manhã. Para mim, seria muito custoso escolher o Último Desejo e omitir esta outra pérola de J. Velloso, neto de Dona Canô (mãe de Caetano e Bethânia). Deixo vocês com a alegria que atravessa a figura dessas duas senhoras e com a conexão oculta que paira sobre os foguetes, que se soltam ou se guardam conforme o prenúncio ou o fim de um grande amor.

 

9 pensamentos sobre “Foguetes

      • Até Ortinho! Escutei outro dia. Minha lista de coisa pra postar tá gigante! Mas esses coisas menos conhecidas eu gosto de ter tempo pra pesquisar e contar um pouco sobre o artista, as vezes não dá tempo de pesquisar pra postar, aí eu posto algo mais conhecido mesmo, tão legal quanto.
        Ah, na verdade não conheço Mathilda Kóvak, vou pesquisar!

        Adorei sua contribuição Pablo!

  1. Uma coisa que eu acho legal no blog (olha a propaganda) é que mesmo estando nessa há um ano eu ainda me surpreendo com a diversidade das coisas que aparecem por aqui.
    E enquanto a Yu conhece todas as referências e eu não conheço nenhuma, eu consigo apreciar boa música quando escuto.
    E um bom texto também (afinal, alguém que usa o termo “paleofonográfico” merece respeito).
    Usando um termo menos requintado mas caloroso, Pablo brilhou. Obrigada!

  2. Pingback: Não se levantem, moças. Estou apenas de passagem. | Musique à Trois

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